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sábado, 22 de agosto de 2009

... RECORDAR O POÇO NEGRO!...Recordar a LEVADA!

Aquele pequeno ribeiro não seria pròpriamente um rio, até porque me lembro, teria cerca de cinco, seis anos e percorrer não só as suas margens, como também atravessá-lo a pé em vários locais. Estaríamos, talvez, nos meses do Verão, é possível, até porque havia sinais evidentes mais a montante de alguma ferocidade do dito ribeiro, os estragos eram evidentes no que restava de uma ponte de pedra, com um tamanho razoável na margem esquerda, mas quase inexistente na outra margem e a separar estas ruínas era o vazio e lá no fundo as águas do dito rio Mau, assim chamado, deslizavam numa zona mais central recheada de seixos bastante grados,quase arredondados e que não davam muito jeito para ser pisados, talvez, porque os pèzitos eram naquela tenra idade um suporte frágil, de um corpo que não poderia ter sólido equilíbrio. Os humanos haviam remediado a queda da referida ponte de pedra, com a colocação um pouco mais a jusante de uma improvisada ponte de madeira que garantia a passagem às pessoas e aos animais de pequeno porte, uma vez que os carros de bois e mesmo estes grandes animais faziam a travessia pelo próprio ribeiro nas zonas pré-determinadas e que eram, naturalmente, as zonas mais baixas... A água era límpida, via-se com nitidez que assim era e não havia razões para supôr que assim não fosse, por se tratar dum ribeiro que teria as suas origens numa escarpa montanhosa ali bem próximo e numa das fraldas da "Serra da Boneca"; as pequenas casas junto da ponte semi-destruida eram o início ou o fim do povoado na margem direita e até à nascente, ribeiro acima , não havia sinais da existência de mais seres humanos, excluindo naturalmente o polo da Estivada, local previamente escolhido para a montagem dos abençoados moinhos que movidos de forma engenhosa pela força dum pequeno caudal, transformavam em farinha alqueires e alqueires de milho!... Neste local ermo, solitário, algumas pessoas durante décadas e décadas levaram para diante um trabalho NOTÁVEL para que muitas das famílias de Rio Mau, Melres e Sebolido tivessem acesso a um pão de milho de óptima qualidade e que seria desejável que nunca faltasse na mesa de todas estas criaturas... Aí pelo ano de 1949 ou 1950 na companhia de miúdos mais crescidos tive a felicidade de conhecer um ponto mais ousado do ribeiro, que me fascinou e que ficava já nas fraldas da serra: o tão falado Poço Negro! Tinha a forma natural duma represa e fiquei com a ideia que a água penetrava naquele espaço em queda e duma forma desordenada; recordo muito vagamente de que os miúdos que já sabiam nadar, que não era o meu caso, se iam colocar por baixo do já referido caudal que se despenhava tão desajeitadamente logo no início do referido POÇO! Numa zona quase central salientava-se uma espécie de pequeno rochedo, e era o único, que emergia das águas e servia à miudagem como ponto intermédio de apoio. Desconheço qual a razão do baptismo, mas poderá muito bem ser derivado à côr escura das águas em algumas zonas do POÇO e que eram de tal profundidade, que não se conseguia ver o fundo!... Apesar de tudo se ter passado há cerca de sessenta anos fiquei com a ideia de ser uma zona muito resguardada pela encosta e pelo arvoredo, que não me pareceu muito denso; as águas eram frescas, quase frias e a temperatura do ar ligeiramente inferior à da aldeia, uma vez que ali e por ser Verão, o Sol incidia com toda a sua plenitude sobre a aldeia e o Douro com um caudal bem reduzido e num plano demasiado inferior, muito pouco poderia amenizar... Presumo, que ainda hoje a situação seja bastante próxima à do final da década de QUARENTA do século passado, mas não há essa garantia, a julgar pelos erros que têm sido cometidos pelos humanos um pouco por toda a parte... Esperemos que no caso em concreto não tenha havido nenhuma má influência, para que os miúdos do século XXI possam também usufruir, tal como eu, com alegria e prazer dum espaço natural como era o POÇO NEGRO!...

Foi para mim extraordinário recordar o primeiro momento mais marcante e mais feliz em que tomei parte, pelo acto de profunda liberdade ao contactar com uma natureza sem donos e sem as transformações que quase sempre desvirtuam!... Se aquilo não era o PARAÍSO de que muitos falam, foi com certeza o melhor PARAÍSO que conheci, ou pelo menos, assim quero acreditar!...


Na minha última ida a Rio Mau, em Setembro deste ano, pela conversa que mantive com os meus conterrâneos, pude concluir que vivi equivocado durante sessenta anos, por pensar que tinha conhecido em miúdo o famoso Poço Negro, quando na verdade se tratava da LEVADA! Não importa, o erro já está a ser corrigido e continuo a afirmar a outra grande verdade, essa sim, para mim muito importante, quando com seis ou sete anos visionei com toda a Liberdade um espaço cem por cento natural, num dia quente de Verão e na companhia de outros miúdos e em que fiquei com a sensação de que tudo ali se conjugara para que existisse de facto uma HARMONIA e uma PAZ que durou todo aquele espaço de tempo e vivo com a ideia de que tudo isto só foi possível, porque estaria a começar a descobrir coisas novas e belas, convencido que seria só o começo e que de seguida viriam muitas mais coisas BOAS e BELAS... e sempre MARAVILHOSAS!

O miúdo estava tão enganado!... Acreditava, porque não tinha a memória que agora já tem, que é o que se passa com os demais humanos; aos sete anos nem os GÉNIOS têm MEMÓRIA!

Apesar das muitas vicissitudes e de coisas muito belas que ajudamos a conseguir pela vida fora, reconheço que foi fantástico ter conhecido a LEVADA e usufruido de toda aquela envolvência natural, que deixou em mim a ideia de que a FELICIDADE mora sempre paredes meias com o Homem, só que o sonho muitas vezes lhe escapa!... E é uma pena...

Agora, começo a sentir uma vontade interior enorme de não só revisitar a LEVADA e levar a aventura um pouco mais além, até encontrar o tão badalado POÇO NEGRO!

O SONHO JÁ MORA CÁ...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Histórias Mínimas V

O meu primeiro contacto com as ARTES de representar, ou seja com o TEATRO ao vivo, deu-se por volta de 1948 e em Rio-Mau! Era uma espécie de TEATRO de RUA levado à cena por saltimbancos, indivíduos que vinham de terra em terra e que num largo mais apropriado da aldeia e em hora mais adequada, levavam à cena umas rábulas que despertavam o riso geral... E PORQUÊ?... Porque normalmente tratavam temas do dia a dia, corriqueiros; para que se entenda, aqui vos deixo para exemplificar, um diálogo entre o MERCEEIRO e o CLIENTE, que começava assim:Venha cá ó snr. MARQUES,Temos muito que falar!...Desde que me pregou o "CÃO"Não voltou aqui a passar.O dinheiro que me deve Quando é que mo quer dar?...E o snr. MARQUES respondia duma forma um pouco torcida dando a entender à assistência que já não estaria no seu estado "normal"...O dinheiro que lhe devoTenho tempo de lho dar!...Eu cá não tenho p,ra comerQuanto mais p,ra lhe pagar!...P´ra VOCÊ me descompôrNão preciso daqui passar!......E o diálogo continuava e o riso das pessoas também só que como tinha seis anitos perdi o resto do registo! Fica no entanto a ideia do isolamento cultural da época, a 2ª GUERRA MUNDIAL tinha terminado havia apenas três anos!...Para nos situarmos melhor na época, convém dizer que a estrada que hoje atravessa Rio-Mau estava a ser construida em 1948!...Entretanto a EN 222 que atravessa o nosso Pedorido já existia nessa època e desconheço se os ditos saltimbancos também actuavam na margem esquerda do DOURO!...Já a viver em Pedorido, assisto àquela que terá sido a década de OURO da Carbonífera: A DÉCADA DE CINQUENTA!Isto porque o carvão fazia mover grande parte do País.Convém recordar que até os comboios e os navios de pequeno e grande calado usavam este fóssil para obterem a energia para se movimentarem! A electricidade tal como a conhecemos era ainda uma criança...Não admira pois que durante essa fabulosa época e devido à criação da riqueza, proveniente da exploração mineira, foi possível ver executar obras de alguma envergadura para a região, como foi a construção do Hospital em Oliveira do Arda, duma prática desportiva assinalável e até no campo cultural tornou-se quase um hábito a divulgação do cinema em 35mm mesmo antes de haver TV em Portugal! Também se fez algum TEATRO no Couto Mineiro e recordo que a encenação esteve a cargo dum snr.que era funcionário da Carbonífera e que se chamava NOGUEIRA das NEVES! Creio ainda não estar a faltar à verdade se disser que este snr. NOGUEIRA viveu alguns anos em Pedorido e que chegou mesmo à Presidência da JUNTA de FREGUESIA de PEDORIDO! Tudo isto durante a década de 1950! Antes de terminar o meu simples depoimento é da mais elementar justiça relembrar todos os mineiros que labutaram nas Minas do Pejão e foram muitos! Uma saudação muito especial àqueles que tiveram a má sorte de perecer enquanto trabalhavam nas minas e é muito duro confessar que neste número está incluido um jovem pedoridense de quem fui muito amigo!Nunca o esquecerei!A VERDADE É ESTA:Foi graças ao trabalho duro e perigoso destes homens que todo o Couto Mineiro viveu um período que as nossas MEMÓRIAS teimam em não esquecer!

Histórias Mínimas IV

Depois de tantos anos a labutar por este País fora, e foram 50 anos de trabalho, é com bastante regozijo que chego à REFORMA, e poder, finalmente, concentrar-me e tentar associar os factos que de alguma forma vivi, ou simplesmente acompanhei de perto!É certo que o que se passa comigo, passa-se com o comum dos mortais, no entanto um belo dia a felicidade guiou-me até ao blog Pedorido.com e resolvi " entrar" numa tentativa de reencontrar o que havia "perdido", ou seja o contacto com as gentes de Pedorido e Rio Mau. Sei que não voltaremos à meninice, mas é muito salutar,dá-nos vontade de reviver ou recordar episódios que fizeram parte da nossa formação, ou nao!A verdade é que tenho muitas MEMÓRIAS de Rio Mau, onde nasci, e onde vivi até aos sete anos, altura em que me mudei para Pedorido e onde permaneci até aos vinte!
Quero aqui relembrar um ponto que os miúdos de ambas as localidades tinham em comum no Verão:- Qualquer miúdo com pretensões a ser nadador teria de frequentar a Levada ( Rio Mau) e a Paçaria (Pedorido). BONS TEMPOS!...
Já em Pedorido era chegada a década de CINQUENTA e os miúdos começavam, finalmente, em grande parte,a levar os estudos até à 4ª classe, criando-se, talvez, a partir daqui e no que ao ENSINO dizia respeito, um fosso entre eles, os pais e os avós!É por estas alturas que me recordo bem de ouvir contar a muitas e variadas criaturas, mais velhas, claro, contos e histórias de bruxas, lobisomens, diabos e outros afins... Garantiam ser verdade, tanto mais que tinha sido fulano e sicrano, que tinham, segundo eles, toda a reputação!Claro, que em boa verdade sempre duvidei, mas em rigor não tínhamos como rejeitar. Se os mais velhos afirmavam...É aqui que entra a nossa história de hoje, que me foi contada por um snr. já falecido e que dava pelo nome de Zé Paroba! Este bom homem repetia-se muito a contar as suas histórias, e, esta ouvia seguramente umas dúzias de vezes, sem nunca pôr em causa a sua veracidade! Vamos à história:
- O TI ZÉ PAROBA trabalhava por turnos como guarda dos barcos em Germunde e numa dessas noites mais escuras, tenebrosas, passava da meia-noite e no regresso a casa era "obrigatório" passar junto ao cemitério de Pedorido e sobre os cemitérios contavam-se histórias de arrepiar...Precisamente quando o nosso homem depois de vencer aquela subida íngreme e atingir a zona mais plana ficando assim ao nível da igreja e do cemitério, a porta do cemitério abre-se fazendo um barulho e uma chiadeira que pela calada da noite deixaria aterrado mesmo o mais afoito!... Bem, o TI ZÉ PAROBA contava que apanhou o maior cagaço de toda a sua vida e que o sangue se lhe gelara no corpo!... Passados aqueles breves momentos, que será impossível quantificar em tempo útil, desvia instintivamente o olhar para a entrada do cemitério e constata que na sua direcção saía um vulto e que ele reconheceu ser o Dr. Pinho, um médico muito querido em Pedorido e em todo o Couto Mineiro e que infelizmente viria a desaparecer prematuramente!... Refeito do abanão monumental que havia sofrido e ligeiramente mais encorajado, até porque não se confirmara nenhum daqueles cenários que desde miúdo habitavam a sua cabeça, dá início a um diálogo que o iria surpreender e marcar para o resto dos seus dias : - «Ó Snr. Dr. pregou-me, agora , um grande susto!...» «Sabes ZÉ» - respondeu-lhe o médico - «Venho ao cemitério depois da meia-noite, porque ouço o povo dizer que os mortos aparecem a essa hora e eu gostava imenso de voltar a falar com a minha mãe!...Só que nunca tive semelhante sorte!»
Percebe-se pelo diálogo entre estes dois homens e àquela hora da noite como eram tão diferentes os seus mundos! Um homem da ciência médica, sem medo algum, pronto a entrar num cemitério, sòzinho, mas que tinha dúvidas, muitas dúvidas, sobretudo em relação ao que se passará para lá da morte; daí ir ao encontro duma certa crendice popular, tão antiga como o Homem, que no seu caso, até dava imenso jeito, porque possibilitava voltar a ver e a falar com a pessoa que com certeza mais teria amado neste MUNDO: a sua MÃE!...

Histórias Mínimas III

HISTÓRIAS MÍNIMAS...E VERDADEIRAS!
Se fosse pedido a um qualquer pedoridense, homem ou mulher, nascido nos últimos 30 anos, para nos contar como eram social e culturalmente os nossos bem recentes antepassados das décadas de 30,40, 50 e 60, imaginamos nós que seria uma tarefa de alguma dificuldade e por outro até de alguma perplexidade, quando se confrontassem com algumas realidades inerentes em primeiro lugar ao baixo teor na área do conhecimento, porque a regra quase geral era de um analfabetismo com percentagens elevadíssimas!Partindo desta realidade a vida tornava-se dura e difícil para esta gente que humildemente procurava resolver as inúmeras situações difíceis e na maior parte das vezes nem conseguia resolver ou resolvia mal.A emigração era enorme devido a essa realidade em especial para a América do Sul, especialmente para o BRASIL!Entretanto, uma boa parte ficava por cá, remando humildemente contra a maré à espera, quem sabe, que alguma coisa de bom viesse a acontecer, porque na sua santa ignorância ouviram dizer, não sabiam a quem " que a esperança era a última a morrer"!...É no meio deste cenário que se enquadra a cena a que assisti nos anos CINQUENTA:-Um belo domingo alguns homens que faziam parte da Junta de Freguesia deslocaram-se a um monte que fica para lá das povoações de Gaído e Arejinha com a missão de verem no local qual era a situaçao real da mina que estava a ser feita por mineiros, creio que da Carbonífera, mina essa que tinha como objectivo abastecer de água potável Pedorido e penso que também a Póvoa, mas não tenho a certeza se a Póvoa estava incluída, ou não.Lembro-me perfeitamente que quem " comandava" o grupo de trabalho teve a ideia de convidar um habitante daqueles lugarejos,que se chamava JOAQUIM GUERRA e que gentilmente fez o favor de nos acompanhar...Em determinada altura do percurso, fez-se um interregno para descansar, conversar e petiscar. Recordo-me que a dada altura o tema da conversa encaminhou-se para as RELIGIÕES e o TI JOAQUIM entupiu e não dizia nada, só ouvia! É então que um dos autarcas da Junta, no caso ANTÓNIO CORREIA questiona o nosso homem da seguinte forma:- Ó TI JOAQUIM você tem estado tão calado... Não me diga que você não sabia que havia outras religiões, para além da "NOSSA"?!...- Ó moço eu não sabia! Julgava que só havia a nossa...- respondeu o TI JOAQUIM.- Não! No Mundo há 114 religiões- disse-lhe o autarca.É então que surge a resposta do TI JOAQUIM e que ninguém esperava:- Ó moço também por mais uma podiam ser 115!Recordo com frequência esta passagem que por ser real me dá a obrigação não só de a dar a conhecer, como de lançar o alerta para que sejamos exigentes connosco e com os outros, para que os descendentes actuais e futuros destes homens humildes e honrados, tenham sempre a possilidade do acesso ao saber, coisa que,afinal, lhes fora sonegado.

Histórias Mínimas II

Gostaria de focar,para não fugir ao meu hábito uma pequena mas GRANDE faceta que aconteceu comigo e que nunca esqueci e até guardo como um dos factos que mais me marcaram:- Estávamos em 1955 e a minha excelente professora Teresa,natural de Pedorido como já sublinhei, resolveu primeiro falar comigo e a seguir com os meus pais e para quê? - Uma vez que havia concluido a 4ª classe e era ainda muito novinho para o mundo do trabalho e uma vez que durante os dois anos que havia sido minha professora notara verdadeiro empenho e sobretudo aproveitamento, queria a sra. professora que continuasse a colaborar no ano seguinte e ajudá-la porque iria ter uma nova turma da 4ª classe! Como recompensa pelo meu contributo a sra. prof.ª no final desse ano levar-me-ia à cidade do Porto, ao Liceu Carolina Michaelis fazer o exame de admissão ao Liceu e claro os meus pais não iriam pagar um tostão! Tudo correu como o previsto, ou melhor, como a profª Teresa idealizara, isto é, dei os meus humildes préstimos e colaborei com paixão como "assistente" como agora se diz, no final do ano o prometido foi devido e na cidade Invicta até dispensei de ir à oral!O mais importante de tudo isto é que eu pressenti que com aquela idade pessoas com responsabilidade acreditavam em mim e eu estava a ser útil e isso era fantástico!...Contudo há outros pormenores importantes nesta história e que passo a citar:- A professora comprometeu-se perante um miúdo e perante os pais e cumpriu.- No final do ano propôs-me ao tal exame, eu estava preparado e foi um êxito. Não houve pedidos, não houve cunhas...Agora eu acrescento, perguntando:- Que melhores exemplos ajudariam à formação dum jovem?

Histórias Mínimas I

Tenho as minhas raízes em Pedorido e Rio-Mau e essencialmente por isso não poderei nunca esquecer essas terras e gentes que conheço bastante bem, apesar de estar ausente vai para 50 anos! Naturalmente que são dois povos com as suas diferenças, basta a separação pelo rio para acentuar essas diferenças, mas o que é verdade é que se trata de gentes de quem gosto muito e que nunca irei esquecer. Imagine-se o muito que haveria para contar, de bom e até de menos bom, mas a vida de todos nós é demasiado curta que, no geral se apaga num clik e até por isso importará sobretudo " remar" sem deixarmos de perceber o que poderemos de fazer de bom por nós próprios e por esta sociedade à qual sem escolha viemos a pertencer. Devemos aceitar tudo isso como natural e ao percerbermos isso como o mais natural estamos, penso eu, mais capazes de prosseguir nesta caminhada e com sentido positivo!Poderia contar aos meus amigos de Pedorido várias histórias verídicas, mas hoje apatece-me relembrar uma que precisamente encaixa perfeitamente no historial ainda recente das gentes de Rio-Mau e Pedorido:- Quando tenho a felicidade de visitar Pedorido encontro sempre com muita alegia as pessoas dos tempos, mas há uma que quero hoje destacar e que me faz recuar aos meus inocentes tempos da primária. Estou a falar do Mauricio natural de Rio-Mau, mineiro como 1ª profissão,campeão das pistas de atletismo e de corta mato e que felizmente ainda se encontra entre nòs. Tenho ainda bem presente os anos 1952, 1953 e por aí fora em que era vê-lo com a sua força e personalidade ser campeão nacional dos 5000 metros em juniores e campeão Regional do Norte em luta acesa com o seu maior adversário directo e que era Armando Leite do F.C. do Porto. O Maurício treinava assiduamente, depois de cumprir o seu horário nas minas de Germunde, era vê-lo no velhinho campo que separava Pedorido da Póvoa, e, aí, fazia alarde das suas qualidades desportivas. Foi em Pedorido que treinou e venceu corridas e foi em Pedorido que viria a casar e é em Pedorido que vive com a sua família.São exemplos como este que nos marcam pela vida fora e são também exemplos destes que só podem unir povos como os de Rio-Mau e Pedorido.Sem querer ser pessimista e até injusto,parece-me que a nossa maior insensibilidade como povo, estou a falar como pedoridense, será esta de não nos darmos conta dos maiores com quem convivemos e de quem até somos amigos... Será preciso acontecer o fatídico, para depois cairmos "na real" e só então darmos conta de que afinal vivemos lado a lado com pessoas que foram mais além que o comum das pessoas e que não fomos capazes de com a nossa humildade reconhecer-lhes essas mais valias?Perdoem a minha insistência, porque creio que estes bons exemplos deveriam ser dados a conhecer à comunidade em geral e aos jovens em particular! Parece-me que o que é bom nunca está fora de época, apenas hoje temos a felicidade, e, devemos aproveitá-la,de ter um muito mais fácil acesso ao saber, ao conhecimento,então só nos falta ir um pouco mais além e fazermos a verdadeira diferença e que é valorizar os melhores exemplos, que até podem estar à beirinha da nossa casa, estaremos a tornar-nos maiores e melhores e a sociedade só ganhará com isso!Era esta a história real que hoje vos quis contar.Claro que tenho outras boas histórias e que muito gostaria de partilhar com os meus queridos amigos de Pedorido, mas que ficarão para data próxima.E para terminar vou confidenciar-vos uma verdade que os que moram e vivem em Pedorido nunca saberão:- Só quem viveu até aos vinte anos nessa terra é que sabe o que é amar uma terra e um povo que nunca esqueceremos e de quem temos uma SAUDADE do tamanho do MUNDO!PERDOEM A MINHA SINCERIDADE...