- Assim que se percebe que Abril "arrumara" com extrema facilidade - quase do dia para a noite - o regime de partido único, e, que, pomposamente, se auto-intitulara de Estado Novo durante várias décadas, ficariam no ar várias confusões, que, com o tempo iríamos descortinando... E só por milagre poderia ser de outra forma, porque toda uma vida sem formação adequada no que à política dizia respeito, haveria de criar falhas de difícil recuperação, que foram sobrevivendo no tempo e continuam a pesar bastante na sociedade portuguesa!...
- Algumas coisas foram feitas no pós 25 de Abril, mas depressa se percebeu, que se começaram a instalar outros interesses a partir do momento em que começava a ser notório, que, alguns partidos políticos, passaram a ser coutadas de certos grupos comprometidos com conhecidos grupos económicos... A partir do início dos anos oitenta, notava-se, que uma boa parte das gentes trabalhadoras, entrara já numa espécie de comodismo, ao "desligar" da coisa pública e limitando-se, em boa medida, a frequentar os actos eleitorais, que, curiosamente, acabavam por eleger sempre os mesmos partidos e uma ou outra cara "nova" com receituário igualzinho, ou, pior ainda, com práticas de governação bastante idênticas e em alguns casos para pior... Entretanto, o mundo financeiro ia sofrendo algumas alteracções e a médio prazo a coisa má aporta por este rectângulo e vem ao de cima todo um cenário de pesadelo, que quase "esmaga" o mundo do trabalho, em contraste com todo aquele mundo de facilidades ostentadas pelos tais grupos de espertalhões, que de forma descarada vêm para as televisões, jornais e revistas, jurarem de pés juntos e mãos levantadas para os Céus da sua "inocência" e do muito que este País lhes ficara a dever...Ou seja, nunca passaria pela cabeça dos melhores cérebros nacionais, que Portugal teria talentos de tamanha estirpe nas áreas da encenação e da representação, do melhor que tínhamos visto em Shaskespeare ou em Godot... Claro, que não se trata de pioneiros na arte de representar, bem pelo contrário, porque sabiam de antemão que o trabalho de sapa, matreiro, já havia sido feito ao longo dos anos e garantia-lhes uma total segurança, que está à vista e que nada de mal lhes iria acontecer...
- Ao contrário, todos os dias, milhares de pessoas, que dedicaram toda a sua vida a um trabalho de forma digna e séria, vêem-se atirados para o lote da classe dos desempregados, sem saberem como e quando irão sair de tal pesadelo...
Camarim no teatro
Há 10 meses
Já «virámos muitos frangos» pelo que já poucas coisas nos surpreendem, mas confesso que nunca pensei que esta teia nos cercasse da maneira como está a acontecer, o capital tomou conta de tudo com um descaramento que não julgava possível, nos tempos que correm.
ResponderEliminarUm abraço
Virgilio